Carregando

< clipping

O novo ouro negro do Brasil

06 de julho de 2021

Reconhecido como o maior mercado produtor da commodity, o setor une esforços para ser também o líder mundial em cafés especiais. Para chegar lá, marcas e produtores passam a trabalhar juntos com o objetivo de melhorar as práticas agrícolas, sociais e ambientais.

Aos admiradores daquele cafézinho preto, amargo e servido fumegante em copo americano uma notícia: se depender da indústria cafeeira essa experiência está prestes a sumir do mapa. Mas, não se assuste porque a causa é boa. Produtores, cooperativas, associações e grandes marcas estão empenhados em trabalhar juntos para estabelecer novo padrão para o grão brasileiro e elevá-lo ao título de melhor opção entre os especiais do mundo de acordo com os critérios estabelecidos pela Specialty Coffee Association (SCA). O desafio é uma grande quebra de paradigma já que o País é conhecido nacional e internacionalmente por ser o maior produtor global do café commodity, o que sempre deixou o foco na quantidade e não na qualidade. Internamente, isso também se reflete no hábito de consumo de um extra torrado para cobrir as imperfeições do grão, comuns em produção em larga escala. Era esse o tipo historicamente vendido no Brasil, enquanto os melhores grãos sempre foram exportados.
O fim dessa era foi iniciado há 20 anos quando a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) lançaram a primeira edição do Cup of Excellence, concurso para promover os produtos do Brasil com mais de 80 pontos pela escala SCA, que vai até 100. Desde então, os cafeicultores mudaram a mentalidade e o mercado. No ano passado, enquanto a produção do tipo commodity cresceu 2%, o segmento de especiais evoluiu 7%, o que fez com que sua participação no mercado interno chegasse a 15% da produção total. Neste mercado que promete ser cada vez mais competitivo, duas mulheres lideram importantes iniciativas nas extremidades da cadeia. Daniella Pelosini, que vem colocando o sítio da família entre os melhores produtores do País, e Rachel Muller, diretora de Cafés da Nestlé.


“O Brasil não valoriza o que é nosso, nem o produtor nem o café” Marcelo Moscofian Santa Mônica Café (Crédito:Divulgação)
Para Daniella, o início como cafeicultora não foi fácil. À frente do sítio que leva seu nome no interior de São Paulo, a produtora ganhou do seu pai a missão de assumir a fazenda que ele comprou quando ela ainda era uma criança. A propriedade, dedicada inicialmente ao gado leiteiro, passou a produzir café. “Para mim, foi um desafio imenso porque ou o cafeicultor nasce no cafezal, ou precisa estudar muito. Eu fazia parte do segundo grupo”, afirmou Daniella. Após se dedicar a conhecer todo o processo, ela enxergou nos especiais um nicho promissor. “Vi que o Brasil tem condições de oferecer os melhores especiais do mundo”, disse. Foi assim que escolheu se dedicar à plantação das variedades do catuaí vermelho e amarelo, investir em pós-colheita e a vender para grandes marcas como a Illy. Dentre as vantagens de parcerias com as gigantes, além da recorrência da compra, estão algumas iniciativas que atestam e promovem a qualidade da mercadoria. Os concursos, esperados pelos fornecedores a cada ano, são uma das principais delas de acordo com a fazendeira, que venceu três vezes a categoria estadual do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade e foi bicampeã regional da Florada Premiada 3 Corações em 2018 e 2019.


“Para mim, foi um desafio imenso porque ou o cafeicultor nasce no cafezal, ou precisa estudar muito. Eu fazia parte do segundo grupo” Daniella Pelosini >proprietária do sítio Daniella
A executiva Rachel Muller também dedica sua vida profissional a elevar a qualidade do grão nacional. Sua atuação, no entanto, é dentro da multinacional Nestlé. Como diretora de Cafés da marca, defende que, ainda que o consumo do brasileiro seja seis vezes maior do que a média mundial, há muito espaço para elevar a qualidade da xícara. Foi com esse objetivo em mente que a empresa iniciou um trabalho conjunto com produtores, torrefadores e baristas. “O que gostamos no café de qualidade é que ele entrega mais valor para o consumidor e para a cadeia”, disse Rachel. Para alcançar a visão, a Nestlé tornou a bebida uma prioridade global investindo R$ 300 milhões na premiunização da bebida feita no Brasil. Dentro desse pacote, uma das principais ações é o programa Cultivando com Respeito, sustentado pelo tripé Pessoas, Natureza e Conhecimento e que hoje envolve um pouco mais de 1 mil produtores.
Em Pessoas, o foco é trabalhar junto à nova geração, oferecendo uma extensa formação na produção de especiais e inovação no campo. O programa começou em 2018 com um grupo de 30 filhos de produtores do Espírito Santo com aulas semanais que vão desde seleção de grãos, torrefação até degustação sensorial. No pilar Conhecimento, destaque para o lançamento da linha Nescafé Origens do Brasil. “Com este projeto nós evidenciamos as diferenças dos diversos terroirs brasileiros, explorando o grau de maturidade e as necessidades de três regiões produtoras importantes”, disse Rachel. O intercâmbio de informações nessa iniciativa acontece tanto via técnicos da empresa que debatem sobre os mercados, com orientações que abrangem aspectos como precificação e sustentabilidade, como via troca de conhecimentos entre os 80 produtores que participam do projeto. Em troca, a empresa paga um prêmio pela qualidade da xícara.

< clipping
Topo

Contato


This site is protected by reCAPTCHA and the Google 
 and 
 apply.

2021 Pelosini Cafés